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José Paulo Santos

Biofobia

Há sempre uma neblina de incertezas e ocultos mistérios por entre memórias e rostos naufragados. Vai-se tecendo nevoeiro à porta das grutas da inconfessável vergonha de se ser o que nunca se deveria ser. Nas profundezas de cada ser há escuras e opacas paredes salpicadas de rasgos e de rochas estilhaçadas de silêncios. E lá fora, no mais longínquo fora de cada um, há uma existência que espera o regresso da vida.

Lá fora, existes ainda tu, aquele que esqueceste um dia de iluminar.

O teu amor-próprio, a tua dignidade aguardam a tua chegada, uma outra vida de se viver.


2018, José Paulo Santos

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